07-09-2015

Alemã Olbo&Mehler investe 16,5 milhões de euros em Famalicão

O poderoso grupo têxtil alemão Olbo&Mehler escolheu Vila Nova de Famalicão para investigar e desenvolver novos produtos têxteis. E fê-lo porque em Vila Nova de Famalicão encontrou recursos humanos altamente qualificados e infraestruturas tecnológicas de investigação e inovação, capazes de responder aos desafios constantes, tendo concluído recentemente o investimento de 16,5 milhões de euros que iniciou em 2010.

Em 2014 a Olbo&Mehler concentrou em Vila Nova de Famalicão todas as competências do grupo alemão na produção de telas para correias de transporte e no desenvolvimento de outros têxteis técnicos e de valor acrescentado, usados em corrimões de escadas rolantes, lagartas de motos de neve ou coletes à prova de bala.

Resultado de uma forte aposta na inovação e na melhoria contínua, vem também desenvolvendo tecidos inovadores, em parceria com o CeNTI – Centro de Nanotecnologia e Materiais Tecnológicos e Inteligentes, o Citeve – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal, sediados em Famalicão, e a Universidade do Minho. “Uma das missões a cumprir é encontrar um tecido capaz de resistir a uma chama direta a incidir sobre ele, com temperaturas de 800 graus Celsius. Outro desafio é encontrar um substituto têxtil da fibra de vidro resistente a grandes amplitudes térmicas. Em estudo estão ainda soluções antibacterianas”, revela o presidente da Olbo&Mehler, Alberto Tavares, que espera que estes produtos façam parte da produção diária da empresa no prazo de cinco anos.

Segures ganha nova vida

Nesse ano a Segures Têxteis, na freguesia de Landim, passa a chamar-se Olbo&Mehler, tal como na Alemanha, onde o grupo mantém apenas duas dezenas de vendedores, e recebe toda a produção de tecidos especiais que estava na fábrica da República Checa. A Olbo&Mehler – que Paulo Cunha foi hoje visitar no contexto do roteiro Famalicão Made IN – é uma empresa do grupo Mehler AG, controlado pelos alemães da KAP, cuja holding está cotada na bolsa de Frankfurt.

O valor global desta operação, que consistiu na ampliação e modernização da antiga Segures – onde em 1996 o grupo instalou a primeira unidade industrial –, e que ficou fechada recentemente com um investimento de 2,5 milhões de euros numa linha de tratamento de tecidos, atingiu os 10 milhões de euros. Só nos últimos cinco anos o investimento alemão na unidade famalicense atingiu os 16,5 milhões de euros.

Apesar do nome germânico, a “nova” Olbo&Mehler está cada vez mais portuguesa. Na presidência executiva está Alberto Tavares, um gestor de 47 anos que substituiu um alemão e se juntou aos diretores financeiro, Francisco Cruz, e de operações, Marcelo Garcia, e à responsável da equipa de inovação, Elisabete Silva, também portugueses.

Alberto Tavares aponta como “fatores competitivos” para a decisão do grupo de centralizar em Famalicão os seus maiores desafios o know how têxtil existente na região nas áreas de desenvolvimento de produto e inovação, a mão de obra altamente qualificada e a posição geográfica privilegiada do município famalicense. O segredo português para a competitividade do sector têxtil no mercado global, sublinha o presidente da Olbo&Mehler, “está diretamente ligado à qualidade dos jovens técnicos formados na Universidade do Minho e na Faculdade de Engenharia do Porto”.

Mais vendas, mais colaboradores

Depois de conquistar toda a produção do grupo alemão de telas para correias de transporte, designadamente para a indústria mineira, a unidade famalicense atingiu os atuais 300 efetivos (número que duplicou face a 2010), enquanto que o volume de negócios disparou para os 42 milhões de euros. “As previsões para 2015 apontam para vendas de 45 milhões”, aponta Alberto Tavares.

Os produtos da Olbo&Mehler destinam-se às indústrias mineira, militar, farmacêutica e automóvel, entre outras, de 39 países dos cinco continentes. No “chão de fábrica” de 30 mil metros quadrados são produzidas mensalmente entre 800 a 1000 toneladas de tecidos que seguem na íntegra para exportação. O grupo alemão Continental é o principal cliente.

O Presidente da Câmara, Paulo Cunha, foi perentório nos elogios à Olbo&Mehler. “É um orgulho para Vila Nova de Famalicão ter esta empresa de dimensão internacional no seu território”, disse, acrescentando: “A Olbo&Mehler é mais um sinal da pujança empresarial e da atratividade do nosso concelho para o investimento. E o facto de ter escolhido Vila Nova de Famalicão para concentrar todas as suas competências é revelador de que o concelho fez investimentos que foram adequados e fundamentais”.

O edil enalteceu ainda o facto de a Olbo&Mehler estar cada vez mais fortalecida ao duplicar o volume de negócios e o número de colaboradores nos últimos anos.

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