13-04-2015

Braço têxtil da Continental ganha músculo

Depois de vários períodos críticos que nos remetem até ao início da década de 90, o têxtil e o vestuário nacionais encontraram um novo rumo e emergem como uma indústria avançada e competitiva. As exportações têxteis aumentaram, com 2014 a ser o melhor ano dos últimos onze em vendas ao exterior, e as empresas têm hoje um nível de eficiência comparável ao que de melhor se faz no mundo.

Um dos principais contribuintes para o tom de otimismo a dominar o sector – que tem em Vila Nova de Famalicão o único cluster têxtil do país – é a Continental – Indústria Têxtil do Ave (C-ITA), especializada em têxteis técnicos para pneus, que conseguiu em 2014 o melhor resultado da sua história. Lucros de 7,46 milhões de euros (contra 6,7 milhões de euros em 2013) e um volume de vendas de 76,1 milhões de euros que resultam em parte da nova linha de produção de malhas para interiores de automóveis. 2015 promete ser ainda mais auspicioso com previsões de um volume de faturação na ordem dos 80 milhões de euros.

A C-ITA, hoje visitada por Paulo Cunha em mais uma jornada do roteiro Famalicão Made IN, embora uma ilustre desconhecida, é uma das principais empresas têxteis do país. Nasceu em 1950 em Lousado, em simultâneo com a Continental Mabor, para produzir os tecidos em tela para os pneus da vizinha do lado. Mas hoje, muito mais do que produzir tecidos para pneus e interiores de automóveis, é também o centro de competências de têxteis do futuro da multinacional alemã que emprega cerca de 200 mil trabalhadores em 46 países. Ou seja, é considerada o braço têxtil do poderoso Grupo Continental.

É no Centro Certificado de Prototipagem e Teste da C-ITA que alunos de mestrado da Universidade do Porto e da Universidade do Minho exercem pesquisa e investigação de forma permanente. O que leva Eduardo Diniz, responsável pela fábrica, a afirmar que “os pneus de hoje e os do futuro passam por Famalicão”. “Somos a excelência têxtil da Continental e estamos preparados para desenvolver a qualquer momento os tecidos que o grupo venha a precisar”, sublinha.

Pilar da competência têxtil de Famalicão

Uma vantagem competitiva em todo o mundo e um aspeto altamente diferenciador é o que a C-ITA conquistou com o facto de ter saído da sua “zona de conforto” – expressão que o presidente da Câmara Municipal usou para enaltecer a sua “força, dinâmica e ambição”. O certo é que a empresa famalicense, com 187 trabalhadores, regista desde 2002 um crescimento constante, fortemente impulsionado pelo investimento de 4,5 milhões de euros realizado em 2014 que permitiu aumentar a sua capacidade produtiva. Os novos equipamentos tecnologicamente avançados alavancaram a produção para as 16 mil toneladas de tecido por ano, mais de metade para exportação, sobretudo para as empresas do grupo na Europa.

“Encontramos o nosso sítio dentro do têxtil e o futuro traz a certeza de que estamos aqui para criar cada vez mais valor”, resume Eduardo Diniz.

Aberto um novo rumo, regressou a confiança de que é possível transformar, num curto espaço de tempo, uma indústria tradicional num sector de ponta. Pelo menos para o presidente da Câmara Municipal de Famalicão. “A Continental ITA é um dos pilares fundamentais da competência têxtil que Famalicão tem e o país recuperou, com uma componente tecnológica muito apreciável e uma presença em vários sectores da economia”, alega.

Para o autarca a empresa é um também verdadeiro exemplo de como é possível chegar mais longe. “Em 2008, apesar da crise, cresceu. E hoje produz, exporta e emprega cada vez mais”.

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